Ao longo dos anos, a comunidade surda alcançou muitas conquistas, entre elas o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como forma legal de comunicação e inserção no mercado de trabalho. Para você ter uma ideia, a surdez afeta mais de 10 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), equivalente a 5% da população. Um dado bastante preocupante, não acha?

 

O otorrinolaringologista do Hospital Santa Marta, André Neri, explica que as pessoas que fazem parte da comunidade surda não encaram a condição como uma deficiência, mas como uma maneira diferente de vivenciar o mundo ao seu redor. Os surdos congênitos podem ser oralizados ou se comunicar através da Libras.

 

“O surdo é uma comunidade, uma organização de pessoas que lutam pela inclusão na sociedade. Eles têm a língua própria, que é a Libras, e o surdo que é oralizado, ou seja, consegue ler, escrever e falar o português mesmo sem ouvir”, afirma Neri.

 

Para o especialista, a inclusão do surdo na sociedade passa pela inserção dessa parcela da população no mercado de trabalho e o combate ao preconceito. “Trabalho com surdos há muito tempo. A gente os prepara para a inclusão. Eles são cognitivamente perfeitos, não têm problema nenhum. [O preconceito] tem melhorado bastante. Já encontramos muito menos gente falando surdo-mudo. Queira ou não queira é uma forma de segregar”, diz.

 

De acordo com Neri, em 90% dos casos a surdez pode ser tratada com um implante coclear, especialmente nos primeiros anos de vida. O dispositivo é implantado na cóclea, parte do ouvido responsável por receber os sons. Do lado de fora, o microfone capta o som e transmite para o processador.

 

“Existe o implante pré-vocalizado, realizado antes da pessoa aprender a falar. É o ideal e deve ser feito até os dois anos de idade. E existe o implante para aqueles que perderam a audição por algum motivo. Mas são realizados exames para saber quem pode fazer, porque alguns nascem com má formação e não têm o órgão da audição”, explica.

 

Diagnóstico precoce

Por isso, o médico ressaltou que é fundamental o diagnóstico da surdez logo nos primeiros meses ou anos de vida. “É muito importante o diagnóstico precoce desde o berçário, com o teste da orelhinha”, recomenda.

O teste da orelhinha é um exame realizado na orelha dos bebês geralmente em até 48 horas após o nascimento, com o objetivo de detectar de forma precoce perdas auditivas congênitas.

 

Com uma equipe multidisciplinar, estrutura completa e equipamentos de última geração, o Hospital Santa Marta oferece suporte completo para o tratamento e acompanhamento das pessoas com surdez desde os primeiros dias de nascimento, incluindo o teste da orelhinha.