Estamos no mês de fevereiro, mas a proximidade do período compreendido entre os meses de março e julho já preocupa pais de crianças pequenas: é nessa época do ano que circula com mais frequência e intensidade o vírus sincicial respiratório, responsável por infecções nas vias respiratórias, principalmente dos bebês. O VSR causa bronquiolites - inflamações nos bronquíolos - em crianças de até 1 ano de idade.

“Pais de crianças pequenas devem ficar alertas nesse período, pois o vírus, inicialmente, pode agir como se fosse um resfriado comum por causa da semelhança dos sintomas. Porém, os casos podem piorar com o agravamento de infecções, passando para pneumonia, bronquiolite e insuficiência respiratória”, afirma Adele Vasconcelos, especialista em Clínica Médica e coordenadora do Pronto Socorro do Hospital Santa Marta, em Taguatinga Sul.

A médica explica que a transmissão do VSR ocorre por meio de gotículas de secreções liberadas, por exemplo, em espirros, ou pelo contato com objetos contaminados. Doutora Adele chama a atenção para os cuidados redobrados com bebês prematuros, ou que apresentem complicações relacionadas ao coração.

“Essas características incluem as crianças em um grupo de risco, ou seja, são mais suscetíveis a contrair a infecção pelo vírus. Note se o bebê apresenta anormalidades ao respirar, como aparentar cansaço ou a respiração de forma pausada. Nesses casos, é necessário levar a criança o quanto antes para receber atendimento em hospital de alta complexidade”, diz a especialista. ??

Doutora Adele Vasconcelos alerta que o tratamento é direcionado para amenizar sintomas como a febre, a tosse e o cansaço, por exemplo, já que não há remédio específico para tratar o VSR. A médica explica que bebês incluídos no grupo de risco, em algumas situações, podem receber um anticorpo profilático como forma de prevenção.

”O ideal é evitar permanecer em ambientes onde haja probabilidade de presença do vírus, lugares fechados ou com grande concentração de pessoas, além de adotar medidas simples de prevenção que valem para gripes e resfriados, como higienizar as mãos com água e sabão antes do contato com a criança, manter distância de pessoas que estejam gripadas, limpar objetos ou superfícies onde a criança mexa muito, não deixar a criança vulnerável a fumaça de cigarros, pois irrita o sistema respiratório e, se estiver amamentando, mantenha somente essa forma de alimentação ao bebê, principalmente os de até seis meses de vida, para que ele receba anticorpos”, enumera a profissional do HSM.

Dados do Distrito Federal:

Entre 2018 e janeiro de 2019, o Distrito Federal registrou 55 mortes causadas pela Síndrome Respiratória Aguda Grave, segundo informou o Ministério da Saúde. Houve aumento de 20% em comparação com 2017, ano em que houve 44 óbitos provocados pela patologia. O DF teve 1.034 mil casos notificados em 2018, ocupando, no Centro-Oeste, o segundo lugar no ranking dos locais onde houve mais registros da doença. O primeiro foi o estado de Goiás.

 

Por Patrícia Fahlbusch